sábado, 9 de fevereiro de 2013

Santo Agostinho e a busca da felicidade.

A busca do homem pela felicidade não é algo atual, vem desde que ele se separou de Deus pelo pecado e com isso essa busca se tornou permanente, já que durante a vida na Terra os seres humanos carregam o pecado. O responsável pelo pecado é o livre-arbítrio da vontade humana, já que há liberdade para se escolher entre o Bem e o Mal. O chamado decisivo que Santo Agostinho teve para conversão ocorreu nos jardins de sua casa, num dia qualquer de agosto de 386 da era cristã, onde ele se questionava sobre o sentido da vida. Escutou uma criança cantar como se fosse um refrão “Toma e lê, toma e lê”. Santo Agostinho se levantou de onde estava e encontrou em sua mesa um livro que abriu e leu: “Não caminheis em glutonarias e embriagues, não nos prazeres impuros do leito e em leviandades, não em  contendas e emulações, mas revesti-vos de Nosso Senhor Jesus Cristo, e não cuideis da carne com demasiados desejos”. Antes da sua conversão, Santo Agostinho se interessava pelas coisas mundanas, as seduções que o mundo e as criaturas trazem abundantemente, além da filosofia, que o acompanhou durante quase toda vida. Ele seguiu a filosofia maniqueísta, a academia platônica até conhecer os discípulos de Plotino (205- 270), também adeptos ao platonismo, mas na sua versão mística. Sua juventude foi marcada pelas más escolhas que o levaram por caminhos viciosos e a satisfação de prazeres, buscando sempre ser agradável aos olhos dos homens.
A partir do momento em que Santo Agostinho se sente tocado por Deus a buscar sua   conversão ele renuncia ao pecado, e em “Confissões” ele conta um pouco dos passos que percorreu antes e durante sua conversão, ele fala sobre a felicidade da aproximação com Deus e sobre a luta contra os desejos da carne.


A Vida e as Obras
Aurélio Agostinho destaca-se entre os Padres como Tomás de Aquino se destaca entre os Escolásticos. E como Tomás de Aquino se inspira na filosofia de Aristóteles, e será o maior vulto da filosofia metafísica cristã, Agostinho inspira-se em Platão, ou melhor, no neoplatonismo. Agostinho, pela profundidade do seu sentir e pelo seu gênio compreensivo, fundiu em si mesmo o caráter especulativo da patrística grega com o caráter prático da patrística latina, ainda que os problemas que fundamentalmente o preocupam sejam sempre os problemas práticos e morais: o mal, a liberdade, a graça, a predestinação.Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta, cidade da Numídia, de uma família burguesa, a 13 de novembro do ano 354. Seu pai, Patrício, era pagão, recebido o batismo pouco antes de morrer; sua mãe, Mônica, pelo contrário, era uma cristã fervorosa, e exercia sobre o filho uma notável influência religiosa. Indo para Cartago, a fim de aperfeiçoar seus estudos, começados na pátria, desviou-se moralmente. Caiu em uma profunda sensualidade, que, segundo ele, é uma das maiores conseqüências do pecado original; dominou-o longamente, moral e intelectualmente, fazendo com que aderisse ao maniqueísmo, que atribuía realidade substancial tanto ao bem como ao mal, julgando achar neste dualismo maniqueu a solução do problema do mal e, por conseqüência, uma justificação da sua vida. Tendo terminado os estudos, abriu uma escola em Cartago, donde partiu para Roma e, em seguida, para Milão. Afastou-se definitivamente do ensino em 386, aos trinta e dois anos, por razões de saúde e, mais ainda, por razões de ordem espiritual. Entrementes - depois de maduro exame crítico - abandonara o maniqueísmo, abraçando a filosofia neoplatônica que lhe ensinou a espiritualidade de Deus e a negatividade do mal. Destarte chegara a uma concepção cristã da vida - no começo do ano 386. Entretanto a conversão moral demorou ainda, por razões de luxúria. Finalmente, como por uma fulguração do céu, sobreveio a conversão moral e absoluta, no mês de setembro do ano 386. Agostinho renuncia inteiramente ao mundo, à carreira, ao matrimônio; retira-se, durante alguns meses, para a solidão e o recolhimento, em companhia da mãe, do filho e dalguns discípulos, perto de Milão. Aí escreveu seus diálogos filosóficos, e, na Páscoa do ano 387, juntamente com o filho Adeodato e o amigo Alípio, recebeu o batismo em Milão das mãos de Santo Ambrósio, cuja doutrina e eloqüência muito contribuíram para a sua conversão. Tinha trinta e três anos de idade.